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A favor da imperfeição
Um dos maiores problemas que afligem os artistas é a auto-crítica! Necessária (na medida certa), ela é a bússula que nos guia durante o processo criativo e produtivo de nossos trabalhos. É muito comum um artista terminar um trabalho e achar que ele ficou uma porcaria, que poderia ter ficado melhor , que não está satisfeito e coisas desse tipo.
Essa busca pela perfeição é comum entre quem trabalha com as artes, mas é preciso tracejar alguns parâmetros por que essa mesma arte é um produto do momento. Nossa perspectiva hoje pode não ser a mesma de amanhã. Se você fizer uma redação de uma página e visitá-la a cada 15 dias, você sempre achará algo que pode ser mudado, melhorado, acrescentado, retirado do texto.
Assim também é a arte. E se ficarmos lapidando nossos trabalhos eternamente eles jamais verão a luz do dia.Os erros, as imperfeições, são subprodutos do trabalho artístico e, no dia em que eles não existirem, você ficará frustado por perceber que não existe mais graça em procurar aquilo que você (pensa que) já encontrou.
Portanto, sou plenamente a favor da imperfeição. Escreva, desenhe, revise assim que acabar uma ou duas vezes. No maximo, revise após alguns poucos dias. E depois solte o seu barquinho no mar e veja como ele se sai. Não há demérito algum em errar. Eles são pre-requisitos para o acerto. E, ninguém melhor que o leitor, para julgar a sua obra. Já vi trabalhos inexpressivos serem elogiados e verdadeiras jóias serem ignoradas ou ate mesmo execradas.
Erre, acerte, mas faça. Só existe um meio de se aprender, e é fazendo.
Escrito por Leo Santana às 21h31
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Curiosidades e algumas perguntas
1) Sabiam que na televisão um modelo não pode participar de uma novela (ou qualquer outro papel que pertença a um ator) a não ser que seja "interpretando" ele mesmo? E sabem por que isso? Por que o sindicato dos artistas não permitem. Para atuar, eles precisam fazer um curso de ator e se filiar ao sindicato.
2)Sabia que na argentina, durante o governo de péron, os quadrinhos estrangeiros foram proibidos de serm publicados? É sério! Foi só por alguns anos, mas foi mais do que suficiente para que os desenhistas se organizassem numa poderosa escola que lhe deram uma certa autonomia dentro do próprio mercado.
3)No Brasil, tentou-se criar uma lei semelhante (Na verdade, ela foi criada, mas nunca vingou)?
A partir dessas curiosidades, eu pergunto:
1) Nós, artistas de histórias em quadrinhos, temos oud everíamos ter alguma entidade que nos representasse? Eu sei que os cartunistas tem (e não é raro perceber que eles tem muito destaque no cenário nacional. Será que tem alguma coisa a ver?), mas e a gente?
2)Ao invés de proibir os quadrinhos estrangeiros ou baixar leis que obrigassem as editoras, jornais e revistas a publicar uma porcentagem maior que 50% de produtos nacionais, nós não lutamos por uma fatia menor? Ou seja, uma lei que obrigasse a publicação de cerca de 5 a 15 % de material nacional. Acredito que , ainda assim, as editoras (algumas) e publicações bateriam o pé, mas acho muito mais fácil ganhar sendo menos "ganancioso". Imagine a situação: Tem um cara com um pratão de comida e outro passando fome. o que está passando fome diz: Se você não me der esse pratão todinho eu vou brigar com você por ele. O cara, se não quiser ficar com fome também, vai ter que encarar a briga. Agora, se o cara que está passando fome diz, se você não me der uma migalhinha de sua comida eu vou ter que brigar com você por ela. O que está com o prato de comida pensa: ora, é melhor dar uma migalha pra esse miserável do que me aborrecer por causa disso. Deu pra entender? O cara como prato são as editoras. O que está passando fome, somos nós.
Bem, são só idéias soltas. Mas a gente solta uma coisa aqui, outro complementa ali, um terceiro leva adiante e , quem sabe, um dia a gente muda alguma coisa nessa merda toda.
Escrito por Leo Santana às 22h44
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continuando...
5) Custo, Preço e Prejuízo garantido: Este é um ponto bem complexo. Quando você monta um negócio e tem um produto novo para oferecer você tem , de cara, dois problemas:
a) Você precisa recuperar o dinheiro investido; b) Você precisa ter um público (uma clientela) fixa mínima para garantir o retorno de seu investimento.
Assim colocando, fica claro que para conseguir o objetivo a, você precisa, primeiro, garantir o objetivo b. E para conseguir o objetivo b você tem algumas opções (dentre outras):
I) Investir em propaganda; II)ter um preço competitivo
Investir em propaganda é complicado mas, mesmo com pouca grana, você pode divulgar sua revista em lugares como o QI e outros fanzines de ampla divulgação (MANICOMICS, AREIA HOSTIL, ETC.), sites especializados (UNIVERSO HQ, NONA ARTE, HQ MANIACS, ETC.) e, até mesmo, em revistas como a WIZARD. Mas eu acho que a melhor forma de se ganhar um leitor é pelo preço. Não se engane: qualquer coisa acima de R$ 5,00 (Cinco reais) faz o leitor pensar N vezes antes de comprar o seu produto. Até mesmo a PANINI, quando pegou o excelente filão dos heróis americanos, começou sua caminhada com uma política de preços altamente competitivos. por quê? Por que é preciso arregimentar leitores(clientes), cativá-los e troná-los fiéis. A fidelidade (não confundir com fanatismo) é o que garante esse público fixo mínimo que lhe garantirá a sua sobrevivência.
Uma revista como a BRADO (Capa colorida, 68 páginas, 1000 exemplares, mais ou menos 25 x 13 cm, papel off-set) não chega a R$ 2.000,00 (Dois Mil reais). eu disse não chega. O custo de 1 exemplar sai por cerca de R$ 1,60 ou R$ 1,70. Se for em papel jornal o preço cai um pouco (talvez R$ 1,40 ou R$ 1,50). Mas para facilitar os cálculos, vamos deixar o custo da revista em R$ 2,00 e imaginar um preço de capa em torno de R$ 4,00. Se você colcoar 35% referente ao custo de uma distribuidora local (Esqueça, por enquanto, atingir todas as bancas em todo o Brasil, ok?), chegamos ao custo de R$ 1,40 em cima do preço de capa a R$ 4,00.ora, você ainda teria um "lucro" líquido (Já descontado todas as despesas) de R$ 0,60 para cada exemplar vendido. Parece pouco mais isso equivaleria a 15%. E em caso de venda direta (Através de correios) essa porcentagem aumentaria consideravelmente uma vez que não teriamos os gastos com distribuidoras.
Então já falamos de custos, de preço, mas e sobre o prejuízo garantido?
Bem, Tudo isso que você fez, até agora, é para garantir uma cerca competitividade do seu produto. Isso não significa que você vai vender toda a sua tiragem em 1 mês. Nem em dois. nem em seis. Nem em 1 ano. E talvez nunca venda! Mas isso não deve ser a sua preocupação. Todo esse dinheiro investido já está perdido na hora em que você decidiu fazer quadrinhos no Brasil ao invés de estudar pra direito. A sua preocupação deve ser a de oferecer um produto cada vez melhor, de procurar atingir cada vez mais leitores, de saber quais as necessidades deles e se você está suprindo-as satisfatoriamente (mas isso já é outro assunto).
Resumindo: você pode até ter seu dinheiro de volta, mas você vai precisar ficar aí no mercado algum tempo sempre oferecendo um produto melhor ao leitor e, mesmo assim, isso não é garantido. Por isso, esqueça o lucro e em recuperar um dinheiro que , provavelmente, jamais voltará para o seu bolso e focalize naquele que realmente tem o poder de mudar isso: o leitor.
Isto posto, sem a venda do romantismo ingênuo que os artistas amarram em seus olhos, você estará pronto para entrar no mundo dos quadrinhos nacionais.
Mas ainda temos muuuuuuuuuuiiiiiittttttttto mais o que falar. Mas isto fica pra uma outra oportunidade.
A seguir...
Ainda não redigi os próximos tópicos
Escrito por Leo Santana às 14h07
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Continuando....
3)Capitalização: Para lançar sua revista, você vai precisar de dinheiro. Se o dinheiro é seu ou de outra pessoa, isso não importa. No caso da Brado, o dinheiro é rateado entre seus membros e dividido pela quantidade de meses entre o lançamento de uma revista e outra (entendem agora por que somos semestrais?) , mas isso não impede que você arranje o dinheiro em troca de patrocínios (o que vai ser difícil no começo). O dinheiro é fundamental e existem muitas formas de arrecadá-lo, basta você encontrar qual a melhor forma de fazê-lo.
4) Periodicidade e continuidade: Quem disse que uma revista precisa ser mensal? Não precisa. Mas se você quer que seu trabalho seja reconhecido e tenha continuidade, você precisa definir uma periodicidade. Nem que seja ANUAL. O segredo aqui é saber dosar a captação de recursos com a periodicidade da revista. Dar continuidade a um título é o que falta para dar maior credibilidade aos quadrinhos nacionais. Ser oportunista e lançar uma única revista confiando na ingenuidade do leitor apenas afunda nosso mercado cada vez mais para o fundo. Eu poderia dar a seguinte idéia: lançar uma revista com cara de álbum (Eles parecem gozar de mais prestígio junto a crítica mesmo quando são uma bosta) com a temática TERROR (Mas podia ser qualquer outra) com periodicidade anual. Uma espécie de especial mesmo sem ser, entenderam? Algo do tipo "ESPECIAL TERROR N. 1". No outro ano faz a mesma coisa e bota "ESPECIAL TERROR N. 2". Isso fortaleceria o seu projeto e iria ter mais credibilidade em você e em seu trabalho.
A seguir...
5) Custo, preço e prejuízo garantido
Escrito por Leo Santana às 17h16
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Estou inaugurando esse espaço no UOL seguindo o conselho do amigo Jean Okada e já começo bastante feliz ao saber que aqui o espaço disponível já é de 4 MB contra apenas 1 MB do IG. Pra você ver que a gente as vezes por ignorância (aquele que ignora) acaba perdendo algumas coisas que poderiam ser melhores para ele. E é em cima desse pensamento que inicio minha postagem hoje. Na medida do possível, irei trazer coisas interessantes do antigo blog pra cá, ok?
Mas vamos ao que interessa
A Receita do Bolo
Depois de quase dois anos dentro da BRADO RETUMBANTE, estou chegando a conclusão de quê fazer quadrinhos no Brasil não só é possível como deve ser estimulado. Por favor, antes dos sedativos e camisa de força, vamos as explicações...
Neste momento, o artista e leitor sai de cena para dar lugar ao Editor Leonardo Santana (Grande merda, alguém grita lá no fundo). E é em cima das experiências que deram certo dentro da Brado que eu converso agora com vocês.(Obs: Não estou lhas dando uma garantia, mas uma perspectiva, ok?)
1)Você precisa de uma equipe boa: Talento, despreendimento , humildade e união em função de um objetivo comum serão a base sólida para que a revista ultrapasse (e , em alguns casos chegue) ao número 1.Muitas brigas internas, vaidade e intransigência são o principal motivo de quase tudo o que tão arduamente produzimos se escoe rapidamente pelo ralo. Essa talvez seja a parte mais difícil de se compor e, muitas vezes, ela precise inchar e esvaziar-se várias vezes antes do grupo tornar-se fixo e coeso, com todos os integrantes voltados para um objetivo real em comum e não apenas para com seus próprios trabalhos.
2)Escolher uma temática e manter-se fiel a ela (Com poucas variações): Nem todo mundo gosta de heróis, mas aqueles que gostam, adoraram a BRADO. Eu, particularmente, nunca gostei de revistas MIX. Elas nunca atingiam um público específico e acabavam diluindo o seu potencial. Quando o assunto é revista MIX, alguns se levantam e dizem: "Mas e a CHICLETE COM BANANA? Ela foi um sucesso!". A questão é que a CB NÃO era uma revista MIX! Era uma revista de humor e contra-cultura. A maior prova disso é que quando eles quiseram colocar histórias mais "sérias" e reflexivas, eles lançaram um novo título: o CIRCO! Portanto acredito que as revistas MIX são uma opção arriscada, mas a escolha é sua.
A seguir...
3) Capitalização e
4) Periodicidade e Continuidade
Escrito por Leo Santana às 15h16
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